Uma boa equipa não tem de estar toda debaixo do mesmo teto

Arquitetura, engenharia e construção têm competências diferentes. Num investimento industrial, o verdadeiro valor está na forma como trabalham em conjunto.

Quando uma empresa decide construir ou ampliar uma unidade industrial, uma das primeiras questões que surge é como organizar um processo que envolve múltiplas competências: arquitetura, engenharias, licenciamento, orçamento e construção.

É natural procurar simplificá-lo. E concentrar todas essas valências numa única entidade pode, à partida, parecer a solução mais simples.

Existem modelos integrados, frequentemente designados por Design-Build, nos quais projeto e construção são assegurados pela mesma organização. Para determinados investimentos, esta abordagem pode trazer vantagens, nomeadamente ao nível da centralização de interlocutores e da articulação entre projeto e execução.

Mas existe outra forma de trabalhar.

Na Em Paralelo, acreditamos que integração não significa necessariamente concentração.

Acreditamos na especialização, na independência de cada disciplina e, sobretudo, numa coordenação rigorosa entre todos os intervenientes.

Uma equipa que trabalha em conjunto

Uma pergunta que nos colocam frequentemente é:

“Trabalham também com as engenharias?”

Sim.

Ao longo dos anos consolidámos uma equipa de engenharias com quem colaboramos regularmente nas diferentes especialidades necessárias ao desenvolvimento dos nossos projetos.

Não estamos todos fisicamente no mesmo escritório. Mas trabalhamos como uma equipa.

Arquitetura e engenharias são desenvolvidas de forma articulada, cruzando informação, compatibilizando soluções e antecipando interferências ao longo das diferentes fases do projeto.

Cada disciplina mantém a sua especialização e responsabilidade técnica. Mas nenhuma deve trabalhar isoladamente.

Num edifício industrial, uma decisão aparentemente simples pode ter consequências na estrutura, nas instalações técnicas, na segurança contra incêndios, na logística, nos fluxos internos ou no próprio processo produtivo.

É precisamente por isso que, para nós, coordenar não é reunir projetos no final. É fazer com que as diferentes disciplinas conversem desde o princípio.

A metodologia BIM, que utilizamos no desenvolvimento dos nossos projetos, é uma ferramenta fundamental nesse processo. Mas a tecnologia, por si só, não substitui aquilo que consideramos essencial: pensar, questionar, compatibilizar e antecipar.

E quando chega o momento de construir?

Há outra pergunta que ouvimos com frequência:

“E trabalham com que empreiteiro?”

A resposta é simples: não estamos vinculados a um único construtor.

Trabalhamos e já trabalhámos com diferentes empresas de construção e estamos disponíveis para colaborar com a equipa que melhor responda às características de cada projeto e às necessidades de cada cliente.

Não vemos o construtor como um concorrente do projetista. Pelo contrário.

Um bom projeto precisa de uma boa construção. E uma boa construção beneficia de um projeto pensado, coordenado e suficientemente desenvolvido antes de chegar à obra.

O nosso papel é contribuir para que isso aconteça.

Depois de desenvolvido e coordenado o projeto, o cliente pode consultar diferentes empresas de construção sobre uma base comum.

Isto permite analisar propostas não apenas pelo valor final, mas também pelos trabalhos considerados, soluções apresentadas, prazos, condições e eventuais diferenças de âmbito.

Num investimento industrial, em que as decisões podem representar valores muito significativos, comparar propostas sobre informação tão clara e equivalente quanto possível é também uma forma de apoiar uma decisão mais informada.

Construir depressa começa por decidir atempadamente

A indústria trabalha com prazos exigentes.

Há equipamentos a encomendar, linhas de produção a instalar, compromissos financeiros, contratos e datas previstas para o início da atividade.

A obra tem, inevitavelmente, pressão para avançar.

E é precisamente por isso que defendemos que o tempo para pensar deve existir antes da construção.

Estudar alternativas, testar soluções, coordenar especialidades e antecipar incompatibilidades antes de chegarem à obra não é perder tempo.

É preparar a construção.

Uma decisão que pode ser analisada e corrigida durante o projeto tende a ser muito mais simples de gerir do que a mesma decisão tomada quando a estrutura está executada, os equipamentos estão encomendados ou várias equipas já trabalham simultaneamente em obra.

Pensar antes de construir não atrasa uma obra. Ajuda a prepará-la.

O papel da arquitetura vai muito além do desenho

Num projeto industrial, arquitetura não é apenas a imagem do edifício.

É implantação, legislação, funcionalidade, circulação, relação entre produção e logística, articulação entre pessoas e equipamentos, capacidade de adaptação e coordenação com todas as restantes disciplinas.

É também acompanhar o cliente ao longo de um processo em que as decisões não acontecem todas no mesmo momento.

Na Em Paralelo, essa proximidade é particularmente importante.

Somos um gabinete de arquitetura independente e acompanhamos diretamente os nossos clientes desde as primeiras decisões de projeto, articulando arquitetura e engenharias e mantendo-nos presentes à medida que o projeto evolui para a construção.

Não pretendemos substituir engenheiros. Não pretendemos substituir construtores.

Pretendemos fazer muito bem aquilo que nos compete e trabalhar com bons profissionais nas restantes áreas.

Porque acreditamos que a qualidade de uma unidade industrial não resulta de uma única disciplina.

Resulta da capacidade de todas trabalharem para o mesmo objetivo.

Da coordenação à obra

Ao longo dos anos, este modelo de trabalho tem acompanhado a Em Paralelo no desenvolvimento de diferentes unidades industriais, para empresas de vários setores e diferentes origens.

Mudam os clientes, os programas, as equipas de engenharia, os construtores e as condicionantes de cada projeto.

Mantém-se um princípio: cada interveniente deve acrescentar ao processo aquilo que sabe fazer melhor, e todas essas competências devem ser coordenadas em torno das necessidades do cliente.

Hoje, na nova unidade industrial RGP316, em Valongo, esse processo começa a ser visível a uma escala muito concreta.

Cerca de 4.000 m² estão a ganhar forma em obra.

Por detrás da estrutura que agora se ergue estão meses de projeto, decisões, compatibilização entre especialidades, legislação, funcionalidade e preparação da construção.

A obra é a parte mais visível.

Mas muito do que determina o seu resultado aconteceu antes.

Uma boa equipa não tem de estar toda debaixo do mesmo teto. Tem de trabalhar para o mesmo objetivo.

É assim que entendemos o nosso papel.